segunda-feira, 12 de maio de 2014

Critérios a ter em consideração na elaboração de Perguntas de Escolha Múltipla, contribuição histórica.

Introdução
O presente artigo discute, dentre vários aspectos, a questão dos critérios de elaboração da Perguntas de Escolha Múltipla, bem como as suas vantagens e desvantagens. Para além das questões teóricas, o Artigo avança alguns exemplos norteiam a formulação das questões, assim como a disposição dos distratores. Com este artigo não se pretende trazer um trabalho acabado, porém, apresentar mais uma contribuição que possa auxiliar a dinâmica das aulas de Didáctica de História. Portanto, a essência do artigo tem a ver com os Critérios a tomar em consideração na elaboração das perguntas de Escolha Múltipla.

Avaliação Escolar

1.1. Conceito de Avaliação Escolar (Objectivos da avaliação)
Na visão de Chagas (2003: 245) a Avaliação em sentido lato, é uma atitude do nosso quotidiano no que se sintetiza num constante ajuizar, julgar, medir, testar, comparar, estabelecendo relações através dos sentidos, dos nossos conhecimentos, das nossas experiências, sem que o façamos, a priori, com qualquer fim determinado.

Para Fermin apud Chagas (Ibid.,:245), a Avaliação, já no sentido mais restrito embora não objectivo, é um processo sistemático, contínuo e integral, destinado a determinar até que ponto os objectivos educacionais foram alcançados.

Segundo Boom apud Chagas (Ibid.,:245), a Avaliação é a colecta e processamento dos dados necessários à melhoria de aprendizagem e do ensino.

A avaliação como processo que visa a obtenção e tratamento de dados tem como principais finalidades:
ü  Testar os conhecimentos e competências necessários para abordar a formação com sucesso.
ü  Situar os alunos ao nível que lhes convém, em função do desempenho demonstrado.
ü   Controlar as aquisições dos alunos nos vários domínios do saber;
ü  Verificar os progressos ou recuo dos alunos;
ü  Controlar no final da formação se as competências adquiridas pelos alunos correspondem ao perfil desejado.
ü  Diagnosticar os pontos fracos da formação, através dos resultados obtidos.

Como pode-se notar nos itens avançados, mais do que outra realidade, a finalidade da Avaliação não se resume apenas na formalização e cumprimentos das orientações superiores; contudo, analisar o dia-a-dia do PEA, garantir o feedback dos conteúdos se mostrarem menos assimilados.

As provas formadas por perguntas de desenvolvimento (PDs) são constituídas por um Enunciado, sob a forma de pergunta ou afirmação, onde o aluno é solicitado a responder por escrito evocando conhecimentos, e procedendo em maior ou menor grau a uma análise, descrição, explicação, comentário e síntese de um conteúdo, tópico ou área do saber escolar. Cada um destes termos tem significados próprios, que deve ser tido em conta na elaboração da pergunta de exame. A resposta por escrito pode ser mais ou menos extensa e varia de algumas frases até vários parágrafos. Num exame escolar constituído integralmente por PDs, o número de questões para avaliar o conhecimento escolar é normalmente de 5 a 7 para uma prova com uma duração média de 120 minutos.

2.0. Avaliação de Múltipla Escolha

2.1 Conceito de avaliação de Múltipla Escolha
Segundo Bloom, Hastings e Madaus (1971) é percebida como a verificação da existência de dificuldades por parte do aluno durante a aprendizagem e o controlo sobre se os alunos atingiram os objectivos fixados previamente, considerando um leque de opções, onde o aluno escolhe a mais acertada.
Cardinet (1993) considera a avaliação como um sistema de comunicação entre professores e alunos através de um processo sistemático de recolha de informação. Porém, tais informações são fornecidas pelo professor cabendo ao aluno apenas optar pela mais correcta.
Uma questão de escolha múltipla consiste do enunciado e das opções. A pergunta ou a afirmação que formula o problema é chamada de enunciado... as respostas (A, B, C, D.) são chamadas de opções... apenas uma opção é a resposta correcta... as opções incorrectas são chamadas de opções de distracção.

2.2. Vantagens e desvantagens da avaliação de Múltipla Escolha
2.2.1. Vantagens:
ü  As questões podem ser respondidas mais rapidamente, sendo possível elaborar um maior número de itens;
ü  Os testes podem ser corrigidos com maior rapidez e objectividade utilizando-se um escantilhão.
ü  Os testes podem ser corrigidos por pessoas não familiarizadas com o conteúdo, liberando, então, o professor desta tarefa consumidora de tempo.
ü  Os resultados dos testes podem ser fornecidos mais rapidamente aos estudantes.
ü   Os testes podem ser corrigidos a máquina utilizando-se folhas de resposta.
ü  Correcção que é bastante mais fiel.
2.2.2. Desvantagens:
ü  Os estudantes podem adivinhar as respostas correctas.
ü   Este tipo de questão pode medir apenas memorização.
ü   Este tipo de questão não dá aos estudantes a necessária liberdade de resposta para medir habilidades intelectuais mais complexas.
ü  Este tipo de questão limita a capacidade criativa e de elaboração de respostas dos estudantes.
2.3. Alguns princípios básicos para elaboração de questões de múltipla escolha
Na visão de Filho (2006), para que as questões de Escolha múltipla apareçam bem elaboradas e que tragam resultados desejados no Processo de Ensino-Aprendizagem, devem ser tomados em consideração os seguintes requisitos:
ü  Estar seguro que o estudante é forçado a seleccionar a melhor opção de um conjunto de opções plausíveis que diferem em apenas um aspecto.
ü  Estar seguro que as opções estão relacionadas com o mesmo aspecto do problema.
ü  Testar um objectivo de ensino e não inteligência ou esperteza do estudante.
ü  Testar objectivos importantes do ensino e não objectivos pessoais.
ü   Ter apenas uma resposta correcta que não seja ambígua e não teste opinião.
ü   Formular o problema no enunciado.
ü   Utilizar linguagem simples.
ü   Evitar negativas ou enfatizá-las, sublinhando-as por exemplo.
ü   Evitar indícios gramaticais.
ü   Evitar as palavras "sempre" e "nunca".
ü   Evitar a palavra "pode". Tudo pode acontecer!
ü  Evitar "Todas as respostas acima" como opção.
ü  Ter respostas de tamanho similar. Evitar ter a resposta correcta maior ou menor do que as opções de distracção.
ü  Posicionar a resposta correcta ao acaso.
Exemplos:
1. Por que é que a História é também considerada uma ciência específica?
A. Porque faz parte das Ciências Sociais e Humanas;   
B. Porque nela estuda-se mais sobre a História das guerras e o continente europeu.
 C. Porque tem uma metodologia ímpar, objecto de estudo e possui conhecimentos sequenciados D. Porque o conhecimento baseia-se em fontes históricas e factos, permitindo assim uma visão indiscutível do passado humano.

2. “... são de uma fidelidade completa para com a sua raça, mas opostos e raivosos para com o resto do género humano”.   O trecho apresenta uma característica da historiografia...
A. Cristã;                       B. Grega                            C. Judaica                     D. Romana
3. O proletariado moçambicano tinha a sua particularidade e natureza específica porque
A. Atingiu uma consciência de classe;   B. Continuava apegado à sua natureza e origem;
C. Cortou seu vínculo com as terras de origem;   D. Ficou seduzido com a vida das cidades.
4. Qual das afirmações que se seguem reflecte a verdade?
A imprensa em Moçambique assumiu uma postura anti-nacionalista; 
B. A imprensa defendia os interesses da burguesia africana;
C. A imprensa denunciava as barbaridades do colonialismo;
 D. A imprensa reivindicava a supremacia dos negros.

5. A utilização cruzada das fontes históricas aparece como uma inovação qualitativa porque:
 A. Assegura a intervenção simultânea de diversos tipos de fontes, pois um facto isolado aparece à margem do movimento do conjunto.
  B. Assegura a descoberta de novas informações jamais vistas.
C. Possibilita uma forte experiência e observação directa dos factos do passado.
D. Nenhuma das alternativas é correcta.

6. A Costa do Ouro, Daomé e Alto Volta foram nomes dos países que se seguem:
A. Gabão, Camarões e Burundi 
B. Gana, Benim e Burkina Fasso 
C. Camarões, Lesotho e Burkina Fasso. 
D. A alternativa C é que é correcta

2.4. Análise de questões de Múltipla Escolha
Processo de elaboração de PEMs é longo, laborioso, requer conhecimentos, experiência, bastante imaginação, revisões frequentes e o parecer e ajuda de colegas da mesma área de especialidade. Uma PEM, considerada por um autor como muito boa e imaginativa, revelasse deficiente, quando submetida à apreciação de um colega, devido a ambiguidades e presença implícita de pistas orientadoras.
O enunciado deve incluir a ideia central e a maior parte da informação em análise. O
enunciado deve ser uma pergunta positiva. Os enunciados positivos são mais fáceis de compreender do que os negativos. No caso de um enunciado negativo recomenda-se que a palavra não seja sublinhada. A avaliação não tem por objectivo confundir os alunos ou passar-lhes rasteiras, antes pretende avaliar os conhecimentos adquiridos e os raciocínios efectuados.

No formato convencional de PEMs deve haver uma e só uma alternativa correcta. Às vezes por desconhecimento, distracção, pressão do tempo, ambiguidade e falta de revisão há mais do que uma opção correcta.

2.4.1. Escolha dos distractores
Na elaboração de PEMs, o número de distractores, alternativas ou opções varia
normalmente de três a cinco, sendo o número mais comum de quatro distractores. Na avaliação por PEMs, uma das maiores dificuldades é a selecção das alternativas ou distractores plausíveis e adequados. É difícil escolher bons distractores, mesmo por parte de autores de manuais escolares com longa experiência neste tipo de formato avaliativo.
Muitas PEMs permitem a elaboração de um bom distractor, às vezes dois distractores e mais raramente três. Quando os distractores não têm o mesmo poder de atracção em concorrência com a opção correcta, os distractores perdem eficácia e são facilmente rejeitados por um estudante minimamente competente na realização de testes de PEMs. Como consequência aumenta a probabilidade de acertar. Com distractores deficientes, a probabilidade de acertar na resposta correcta sobe progressivamente de 0.25 para 0.5 ou até mesmo para 1. por pergunta.

Na selecção dos distractores, os peritos desaconselham a inclusão da alternativa “Todas a anteriores [alternativas] são correctas”, ou “nenhuma das anteriores [alternativas] são correctas”, ou “não sei”. No caso de “Todas são correctas” em PEMs-4, basta que o estudante detecte que as duas primeiras alternativas são correctas para imediatamente considerar que a terceira alternativa também pode sê-lo, orientando-o para a resposta certa.“Todas são correctas”. A alternativa “nenhuma é correcta” deve ser também evitada, porque para cada pergunta de exame deve haver sempre uma resposta correcta, se for convenientemente formulada.


2.4.2. Análise de questões de Múltipla
Outras vezes uma alternativa, considerada correcta num momento, pode vir a tornar-se errada numa altura posterior, ou vice-versa, devido aos avanços do saber.
A resposta correcta deve distribuir-se de forma mais ou menos equiparável pelas várias opções ou alternativas adoptadas no conjunto das PEMs que constituírem o exame. Se não for equiparável, um estudante habilidoso é muito capaz de detectar o sistema de respostas.



  Referencias Bibliografias
Bloom, B., Hastings e Madaus (1971). Handbook on Formative and Sumative Evaluation of Student Learning. New York: McGraw-Hill Book Company. ( Manual de Avaliação Formativa e Sumativa do Aprendizado Escolar. S. Paulo: Livraria Pioneira Editora.)

FILHO, Paulo Louro. Introdução à Metodologia do Ensino e Instrumentos de Medida:Testes Objetivos e de Dissertação. São Paulo: Atlas.2001

HAYDT, Regina C. C. Curso de Didáctica Geral. 7ª ed. São Paulo: Ática. 2002. 191 p.

JOÃO, Maria I. Didáctica de História. Maputo: UEM- Departamento de História e
     Geografia. 1983. 192 p.

LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez.1994.

PINTO, Amâncio da Costa. Factores Relevantes na Avaliação Escolar por Perguntas de Escolha Múltipla. Porto: Faculdade de Psicologia e Educação. 2000

ROSADO, António e SILVA, Catarina. Conceitos Básicos sobre Avaliação das Aprendizagens.




































quinta-feira, 27 de março de 2014

Valor do Gado em Macarretane, Praticas Socioculturais e Desenvolvimento

As praticas socioculturais, no Posto Administrativo de Macarretrane, no Distrito de Chokwe, em Gaza, continuam um entrave ao desenvolvimento de algumas famílias criadoras de gado. Trata-se de famílias reticentes as mudanças, razão pela qual estimam sobremaneira seus animais, mais do que servi-los de apoio para a Educação, saúde, entre outras conquistas como construção de habitações. São notórios casos de adolescentes que perdem a escola alegando que seus pais não possuem condições para educa-los. Porem, esses pais são detentores de centenas de cabeças de gado bovino, em particular. Entendo que, em prol de ajuda, uma vez a outra eles poderiam fazer abate de cabeças para apoiar os seus filhos e melhorarem suas condições de habitação. Mas, quando entrevistados, alguns criadores assumem que os animais constituem seu grande patrimônio, de tal sorte que abate-los ou vende-los e grande prejuízo. Outros ainda, afirmam que os animais são tão estimados que ate representam os nomes dos seus entes queridos.

Com a criação deste weblog, espera-se que os leitores possam comentar, sugerir, questionar...tudo no sentido de melhorar a minha pratica. O texto aqui apresentado e apenas um ensaio da ideia que irei desenvolver nos próximos dias. 

Agradecerei a vossa colaboração